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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

MEDITANDO: Nossas almas são borboletas


As três crianças chegaram ao anoitecer. Tristes, traziam nos semblantes as dores choradas por horas. 

De mãos dadas, adentraram o que lhes seria, a partir de então, o novo lar. 

A mãe havia partido no dia anterior, no rumo do Mundo Espiritual. 

O Diretor da Instituição as recebeu e tentou acarinhá-las, desejoso de compensar-lhes o aconchego perdido. 

Porque estivessem tomadas todas as camas, ele cedeu a sua para que as três pudessem dormir, naquela noite. 

Ele próprio se acomodou, de forma improvisada, no mesmo quarto. 

Adormeceram as crianças, abraçadas, num intuito de uma a outra darem proteção. 

Na madrugada, algo despertou aquele homem. Abriu os olhos e percebeu um grande clarão próximo à cama dos pequenos. 

Tentou erguer-se mas não conseguiu. Uma forma feminina, no meio da luz intensa, lhe disse: "Não se mexa.Fique aí. As crianças estão bem." 

E deteve-se especialmente, ao lado do menor dos garotos. O mais desalentado daquele trio. 

Durante algum tempo ali permaneceu. E o Diretor, cansado, acabou por adormecer outra vez. 

Quando a manhã sorriu, entrando jovial pela janela, ele despertou os meninos. 

Enquanto auxiliava o menorzinho a se vestir, percebeu que ele estava muito quieto. Depois, em certo momento, perguntou: 

"Senhor, minha mãe veio me visitar ontem à noite. O senhor viu?" 

O Diretor aconchegou a si o pequeno e consentiu: 

"Sim, meu filho. Eu vi." 

A morte não destrói os afetos, nem os relacionamentos. 

Os que abandonam o corpo prosseguem, de onde se encontram, a velar pelos que permanecem na Terra. 

Amores profundos se perpetuam e onde quer que haja um coração dorido de saudade, o ausente amado se faz presente. 

Ninguém está só, no Mundo, embora a pobreza dos sentidos nem sempre nos permita o registro dos amados. 

Contudo, quando à mente nos assoma a imagem de quem realizou a grande viagem; quando a lembrança dos amores, repentinamente, nos emociona; quando a saudade embala recordações... acredite: os amores estão próximos. 

São suas presenças que acionam nossos registros mentais e motivam esses quadros doces e acalentadores. 

Quando isso ocorrer com você, feche os olhos, sinta o perfume do amor beijar-lhe a face, e agradeça a Deus pela dádiva do reencontro. 

Depois, amenizada a saudade, enxugue o pranto, sorria e prossiga nas lutas, aguardando no tempo o reencontro definitivo, quando as sombras da morte igualmente o abraçarem.

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